Mostrando postagens com marcador Beber. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Beber. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Confraria Carioca

Alguns dos melhores vinhos brasileiros que bebemos recentemente são encontrados na Confraria Carioca, loja de vinhos (e guloseimas) no Rio Plaza Shopping (antigo Rio Off Price, em Botafogo). O Antonio Dias, o Don Laurindo Tannat, Pizzato, Villa Francioni...

De tanto garimpar as preciosidades por lá, acabamos com o nome, claro, na lista de emails deles. E, com isso, pipocam os convites para as sempre bem sacadas degustações que Pedro, da Confraria, oferece. Não chega a ser baratinho, (gira em torno de R$ 90, dependendo dos vinhos), mas é um baita dum programa. Gostoso, divertido e, pq não, educativo, né?

Participamos de uma apenas, por pura falta de organização nossa para marcar todas as que nos interessam. Foi no ano passado, em parceria com o espanhol Josep Ramos Llorens, que produtor de ótimos queijo manchego e jamon. A harmonização foi com diversos tipos de Jerez (que, por sinal, minha ignorância nem desconfiava que existiam tantos).



Diante de uma imponente peça de Jamon Serrano de uns 7kg, provamos os vinhos Fernando de Castilla Classic Dry Fino Sherry, Antique Palo Cortado, Antique Amontillado e Pedro Ximenez. Uma iniciação em grande estilo no mundo dos jerez!


PS: No próximo dia 5 tem degustação de um pequeno produtor de Rioja (Finca Valdeguinea). #ficadica

Beber: Confraria Carioca - Tel. 21 2244-2286

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Mais do que pizza

Sou chata para comer pizza. Mais chata do que paulista, talvez. Só tem duas pizzas que gosto de verdade: a do Jorge, marido da minha mãe, e a da Eccellenza. Quando fui convidada, em 2013, para júri de restaurante da Época Rio, votei na Eccellenza (até pq, não podia votar no Jorge!). E acabei criando uma relação gostosa com o simpaticíssimo Floriano Abinader, dono da casa e amante de Beatles como eu!

Numa dessas (em maio passado, pra ser exata. Esses últimos posts estão com um senhooor atraso, perdão!!!), tive o privilégio de fazer parte de uma mesa família para degustar vinhos apresentados pela Mundo do Vinho e harmonizados pelos pratos delicados de Sheila Morgenstern, a chef da casa. Nem só de pizza vive a Eccellenza... e eu que não sabia!!! Sempre fui à noite tão pré-determinada reencontrar o queijo de cabra e as cebolas roxas caramelizadas da Favolosa que nem abria o cardápio. Foi nesse que dia fiquei sabendo que o cardápio do almoço é mais eclético.  #ficadica

Começamos com pizza branca e espumante. E logo passamos para a salada com Torrontes Piatelle Capricci. Depois veio o levíssimo ravióli verde de búfala com tomate fresco, com um Malbec da mesma vinícola O arroz de alho negro com parma foi um espetáculo à parte e o zinfandel Beyer Ranch 2011 estava à altura. A cada prato, Ana Lúcia falava sobre o vinho. O Langhe Nebbiolo 2009 foi um espetáculo à parte. Fomos nesse ritmo até o créme brûle, finalizado na mesa por Sheila.



Foi um daqueles almoços de quatro horas mas que vc queria que tivesse até mais. Ainda bem que a Eccelleza fica do lado de casa!!

Comer:
Eccellenza Pizzaria - Rua Visconde de Caravelas, 121. Tel. 21 2535-0591.

Vida Caiçara

Praticamente nasci em Paraty Mirim. Freqüento aquela prainha desde os três meses de idade e não há lugar no mundo onde me sinta melhor. Tô ficando chata de tanto repetir isso, eu sei.


A Rio-Santos, porém, torna as coisas cada vez mais difíceis. Se, antigamente, fazia com meu pai os 245km em pouco menos de 3h, hoje com quebra-mola, radar, favelões à beira da pista e engarrafamentos infinitos, conseguir fazer abaixo de 5h é uma vitória.

Ainda assim temos conseguido cumprir a meta de estar por lá pelo menos uma vez por mês. O que nos deixa cada vez mais perto da rotina caiçara. Com chuva, com sol, sozinhos, acompanhados por amigos, em final de semana ou feriadões. Nunca é igual estar em Paraty Mirim. Mesmo que, felizmente, Paraty não mude. (o tempo lá anda em círculos, costuma dizer um amigo meu).

Noutro dia pegamos o caiaque e tiramos mais um item da nossa “to do list”: fomos até a ponte do Rio dos Meros, na Rio-Santos, e descemos por cerca de 2km até o fundo da Baía da Cotia, costeando por mais 5km até chegar na praia de Paraty Mirim. Era um dia especial. Por coincidência que só a assiduidade permite, era o final de semana de celebração de NS das Dores, a padroeira da capela na praia. A mais antiga igrejinha de Paraty Mirim estava toda enfeitada. A comunidade envolvida em tudo: na decoração, no cachorro-quente, na venda de cerveja e na missa com participação do coral da comunidade vizinha.

Pena que Paraty Mirim seja tão abandonada pelo poder público. E não falo “só” da estrada esburacada à mercê da enchente do Rio  (quando vc vai uma vez por mês é folclórico, quando vc mora lá e precisa estudar, ir ao médico ou trabalhar e o ônibus não vem, são outros 500). Nesse que é o final de semana mais importante para os 700 habitantes de Paraty Mirim, não havia luz há três dias. Acabou o gelo, estragaram-se os peixes, a cerveja encalhou. A missa na capela foi sem luz. Não teve o baile. Tudo pq caiu um galho na fiação ao lado da estrada e ninguém se deu ao trabalho de reparar desde quinta-feira.

Numa outra ida voltamos a pôr o caiaque na água pra mais dois roles que sempre quisemos fazer: dar a volta remando na Ilha do Algodão (passando entre a ponta e a ilhota dos Meros, com mar batido e diversão garantida) com direito a pitstop para caipirinha no Restaurante do Hiltinho; e sair cedinho para percorrer os 15km que separam, pela água, Paraty-Mirim e Paraty. Sempre em mar abrigado e com várias praias onde é possível parar, já considero esse um passeio obrigatório.

Volta na Ilha do Algodão e hidratação no Restaurante do Hiltinho!
De Paraty Mirim a Paraty pelo mar. Lindo o caminho, linda a chegada.
Foi no domingo desse final de semana que Pedro recebe um chamado ainda durante o café da manhã: “Vai ter jogo amistoso contra Paraty no campão e o Rinaldo quer que vc jogue”. O campo de grama no fim da estrada junto à praia é um dos orgulhos locais. Tem até refletor. É a casa do Paraty Mirim FC, com uniforme e patrocínio, representante local no Campeonato Rural.


Os banquinhos de madeira do outro lado da estrada servem de arquibancada. Naquele domingo quase meio dia, havia meninas paquerando e a velha guarda “cornetando” o jogo. Com um copão de caipirinha (cachaça do Seu Raimundo!), fiquei de olho no Pedro. Dois tempos de 40 minutos e o corre-corre do “amistoso à vera” prometiam um estrago! Já estava 3 a 0 para o time da casa quando o velho Joãozinho, um dos mais antigos caiçaras de Paraty Mirim, grita da torcida: “Vcs pegaram essa estrada pra vir até aqui e não fazer nem o gol de honra! Assim não dá!”.

Apesar da estrada (ou por causa dela), Paraty Mirim preserva as coisas boas da vida. 

Remar:
Rio dos Meros – Paraty Mirim: Nível leve. Atenção à maré para não ter de empurrar o barco no mangue, e também aos mosquitos. No percurso até Paraty Mirim, são muitas as praias para parar e descansar.

Volta à Ilha do Algodão: Nível moderado-forte. Além de relativamente longa e com pouco local para desembarque (face norte), a passagem pelo canal da ilhota dos Meros pode estar bem mexido devido ao vento.

Paraty Mirim – Paraty: Nível moderado. Se escolher corretamente o momento de partir (sem vento, por exemplo), é um lindo passeio turístico. Apesar de longo, o percurso oferece muitos locais para descanso, lazer e alimentação. Cuidado com o grande fluxo de barcos a motor!

Festejar:
N S Das Dores – Padroeira de Paraty Mirim

Comer/Beber:


Saideira só pra vcs: um close na cachacinha do alambique do Seu Raimundo!!!


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Mendoza em família


Claro que é impressionante conhecer a imensidão dos vinhedos da Norton, de onde saem 30 milhões de garrafas por ano, e sua forma elegante e profissional de receber  os visitantes. A casa que foi do inglês Norton hoje pertence aos austríacos da Swarovski, a mesma dinastia que faz reluzir os cristais mais cobiçados do mundo.

Norton - Boas vindas com estilo
Ainda assim as vinícolas em Mendoza são, necessariamente, uma coisa familiar. Com famílias mais ou menos ricas, mais ou menos conhecidas, maiores ou menores. A Norton foi a única gigante no nosso intenso roteiro de três dias e centenas de taças de vinho em agosto de 2014 (sim, estou atrasadinha com o blogue...). A começar pelo local onde nos hospedamos (Lujan de Cuyo Bed & Breakfast, um achado no melhor ponto para se percorrer as vinícolas da região, comandado pela encantadora família de Ignácio e seus pais), entramos na casa e na alma de pequenos produtores familiares que oferecerem uma percepção sincera da cultura e, pq não, terroir local.

Começamos a viagem pela bodega Bonfanti. Estela, a matriarca, foi quem abriu a porta logo nos convidando para subir. Do espaço envidraçado avistamos os vinhedos ainda pelados de inverno, salpicados por oliveiras. “Onde há vinhedo antigo sempre tem um pé de oliva”, explicou ela, falando do negócio com o marido e os filhos, agrônomos e enólogos, e das cerca de 50 mil garrafas que saem dali todos os anos. “Na época da colheita contatamos mais umas 20 pessoas para nos ajudar”, acrescenta.

Provamos o Malbec, o espumante e seguimos para a Norton para, então, chegar à Dolium.

A pequena casa ainda cheirava à comida recém servida quando Ricardo abriu um sorriso largo para nos receber. Orientou prontamente suas enólogas, que desciam para a área dos barris. “Tirem mais uma taça por favor. Temos visita”.

Logo Laura nos entregou um vinho Malbec Grand Reserva 2012, que estavam testando para ver se poderiam engarrafar alguns exemplares. “Precisamos de dinheiro para avançar com a produção desse ano”. O lindo vinho já nos sinalizou o que estava por vir.

Enquanto ouvíamos que a Dolium foi, até 2005, produtora dos cobiçados vinhos da Cobos (como por exemplo o Bramare, se vc não junta o nome à pessoa), iniciamos a degustação. Dos mais jovens aos envelhecidos em barrica de carvalho, com direito a degustação horizontal (um Syrah e um Malbec do mesmo ano e mesmo vinhedo, dois Malbecs do mesmo ano e vinhedos distintos...) e vertical (Malbecs de mesma qualidade das safras de 2008 a 2012). Uma aula prática da arte de fazer, beber e compartilhar vinhos.


A essa altura, já tínhamos fome. Foi quando Ricardo nos ofereceu almoço, totalmente fora do script. A massa com queijo e manteiga de sálvia colhida no jardim estava simplesmente perfeita.

Dolium
Irresistível passar pela (cafoníssima) pirâmide  sede dos clássicos da família Catena. Mesmo sem reserva, chegamos a tempo de participar de uma bem feita degustação com a simpática Cecília, com direito a tango à capela no final, e um grupo de animados brasileiros.

Catena Zapata - Irresistível
A noite nos reservava mais uma  surpresa especial: o jantar com a Família Antonietti. Andreas, Norma e Betiana nos esperavam no portão de casa, numa ruazinha de terra em San Martin, a 40min pela autostrada a partir de Lujan de Cuyjo. O pai, enólogo aposentado, a filha formada em turismo. A casa, uma propriedade rural que pertence à família há algumas gerações, foi reformada e conta com um tonéis e cava que, a partir da próxima colheita, farão os vinhos que levam o rótulo Família Antonietti (por sinal, lindamente desenhados por uma artista de Mendoza).

Conhecemos cada cômodo da casa, como amigos que são recebidos de braços abertos pela primeira vez. Enquanto provávamos as adoráveis bruschettas caseiras com o xodó da Família, um gostoso espumante, íamos conversando sobre vinhos e vida. Estávamos à vontade e, lá pelas tantas, fomos à mesa. A entrada foi uma torta de espinafre com salada fresquíssima; depois um ensopado de carne com batata, que ficou marinando de véspera sob os cuidados de Andreas. Acompanhamos com um Bonarda, outra aposta de uva assinatura Argentina, para fazer frente ao onipresente Malbec. E, claro, encerramos com flan com dulce de leche, feito com ovos da granja da casa.

Mendoza não é só vinho. O sábado começou com uma deslumbrante viagem ao Parque Aconcágua. Em cerca de 180km, cruzamos diversas vezes o gigante Rio Mendoza, seco de dar dó. Vimos a Ponte Inca e os pitorescos vilarejos encravados na montanha. Teve neve, teve arco-íris, teve frio, teve trekking para tentar avistar o cume das Américas. E teve sanduíche de milaneza em Uspallata, pq ninguém é de ferro!





 Com a alma repleta com a experiência diante do Aconcágua, fomos ao restaurante 1884 do badalado Francis Malman. A casa foi uma antiga bodega, reformada após incêndio e que ainda produz algumas carragas. Provamos um Malbec 2007 estupendo, melhor da viagem talvez. Acompanhado de burrata e rúcula de entrada (pra mim), seguido de cordeiro com batatas, rúcula e mostarda (espetacular!). Não me lembro o que o Pedro pediu, mas estava muito bom também.

Mas ainda tínhamos fígado para o último compromisso vinícola da viagem: a Viña Cobos, mais esperada de todas por nós. Provar os diferentes Bramare e conhecer a história da família foi o final perfeito para essa imersão na alma de Mendoza, antes de seguir por estradinhas internas até a pitoresca Chacras de Cória para o almoço de despedida.



E #ficadica: para vôos da Argentina ao Brasil, pode-se levar até 12 litros de bebida alcoólica respeitando-se o limite de peso despachado de cada companhia. E detalhe: é permitido carregar duas garrafas na bagagem de mão.

Comer:

Bodegas:

Dormir:

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A cerveja dos chefs


Fui ao Entretapas na última segunda com duas amigas. Entre uma sangria e outra, notamos um movimento atípico numa grande mesa no salão. Eram chefs dos mais renomados do Rio sendo recebidos por Jean Santos. Kátia Barbosa, Thomas Troisgros, Kiko Faria... Logo Antônio me explicou que se tratava de um encontro habitual do grupo e que, dessa vez, culminara com uma cerveja exclusiva elaborada a muitas mãos com a St Gallen. Cada um acrescentou um tipo de lúpulo, 14 no total.

Gentilmente, todas as mesas receberam uma garrafa de cortesia para experimentar. Amarguinha, deliciosa.

Sabe aquela sensação de estar no lugar certo na hora certa?

Obrigada!!