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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Revista Época - O Melhor do Rio 2013-14. Sim, eu votei!


Desde pequena (ou nem tanto) leio com gosto as edições de premiação de restaurantes e bares das revistas semanais. Olho o nome dos jurados, as categorias, e faço a minha lista mental de vencedores. Chego a "discutir" com eles os votos. Esse ano, porém, a votação saiu da cabeça pro papel. Ou melhor: pras páginas.

Fui uma das sete convidadas pela RevistaÉpoca para apontar os melhores restaurantes em 23 categorias. O resultado saiu na edição especial que chegou às bancas na última semana de outubro.


Não preciso dizer que foi uma honra estar ali ao lado de tanta gente de bom gosto. Mais do que isso, foi um exercício legal pensar por que prefiro este àquele restaurante, o que me leva a determinado lugar (serviço, comida, ambiente...). O resultado geral vc pode conferir aqui no Blog do Pedro Landim, presidente do júri, digamos assim.

Visitei alguns novos, revisitei outros, resgatei na memória sabores e sensações. Foi um barato.

Cravei 18 dos 23 eleitos por um júri que fugiu do óbvio.

Meus escolhidos (vá lá, com algum pitaco do meu Pedro, não o Landim!) são:

Ambiente: Roberta Sudbrack, Oui Oui, Irajá Gastrô (Eleito: Entretapas)
Brasileiro: Aprazível, Barreado, Aconchego Carioca (Eleito: Aconchego Carioca)
Carne: Giuseppe Grill, Filé de Ouro, CT Boucherie (Eleito: Giuseppe Grill)
Carta de Vinhos: Giuseppe Grill, Botega Del Vino, Cavist (Eleito: Vieira Souto)
Cenário: Aprazível, Bar Urca, Barreado (Eleito: Aprazível)
Chef: Felipe Bronze, Roberta Sudbrack, Roberta Ciasca
Chinês: Primeira Pá, Chon Kou, Mr Lam
Contemporâneo: Oro, Roberta Sudbrack, Irajá Gastrô
Delivery: My Thai, Kotobuki, Gula Gula
Em hotel: Le Pré Catelan, Tereze, Alloro
Feijoada: Casa da Feijoada, Botequim, Feijoada da Portela
Francês: Olympe, Le Pré Catelan, L’Atelier du Cuisinier
Frutos do Mar: Bar Urca, Rio Minho, Bom Peixe (Mercado São Pedro)
Italiano: Artigianno, La Trattoria, Alloro
Japonês: Shin Miura, Azumi, Tenkai
Novidade: Mira, Ricca Alegria, Lima Restobar
Para ir com as crianças: Porcão, Gula Gula, Filé de Ouro
Pizzaria: Eccellenza, Braz, Stravaganze
Popular: Adega da Velha, Poleiro do Galeto, Caranguejo
Português: Antiquarius, Gruta de Santo Antônio, Adegão Português
Rodízio: Porcão, Fogo de Chão, Nik Sushi
Sobremesa: Gula Gula, Le Pré Catelan, Oui Oui
Vegetariano: Refeitório Orgânico, Verde Vida, Cria da Terra


Bom apetite!

sábado, 5 de novembro de 2011

Cariocas e o respeito


Ainda me espanto com a falta de consideração e respeito que impera nesse balneário ao sul do Equador.

“O Rio ainda tem muito o que aprender”, constata Roberta Sudbrack, eleita pelo Guia 4 Rodas (o “Michelin” dos trópicos) a melhor chef do ano.

Foi numa quarta-feira à noite (feriado) que reservei uma mesa de seis lugares para compartilhar com cinco amigos especiais as maravilhas que saem daquela cozinha envidraçada na casinha vermelha do Jardim Botânico. Reservei e confirmei, pois sei que as mesas de madeira maciça ali são concorridíssimas.

Qual não foi nossa surpresa – e, até, frustração, pq de-tes-to restaurante vazio, gosto de reparar no (des)prazer das pessoas comendo e convivendo entre pratos e talheres – ao ver o restaurante com vários lugares disponíveis. O que teria havido? Não estava chovendo, não tinha show de rock, não era uma tarde se sábado de sol. Resumindo, não havia motivo aparente para os cariocas escolherem outros programas.

“Levamos vários bolos essa noite. Abrimos as portas com a casa lotada de reservas. E todas confirmadas... Mas olha só como está...”, confidenciou a chef em sua ronda pelo salão.

Roberta Sudbrack pensa no cardápio, convoca sua “SudEquipe”, compra os ingredientes... Tudo considerando um número X de comensais. E aí o cidadão se acha no direito de, simplesmente, ficar em casa comendo miojo. Sim, ele tem esse direito. Mas poderia pelo menos avisar.

E aqui cabe uma ressalva. O maitre do RS também tem o direito de vir à nossa mesa e oferecer um champagne para tomarmos de aperitivo. Éramos seis e aceitamos. Mas cobrar seis taças (R$ 44 cada) e não uma garrafa (que certamente não era R$ 264) sem nos avisar me parece um erro e um exagero. 

No mais, tudo perfeito e o "menu dos meus sonhos": lagostim com chuchu e amendoim, pargo com vinagrete de lentilhas, ravioli de ricota com cebola croustillante, porquinho de leite com batatinhas croustillantes, e sorvete de pêssego com nectarina. Não podia pedir nada melhor do que essa sequencia incrível, que reuniu numa tacada só os meus dois pratos favoritos da Roberta (o lagostim e o porquinho).

Comer: Roberta Sudbrack (21 3874-0139)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Roberta e Felipe

Ando apaixonada.

Não sei se pela genial simplicidade da Roberta ou pela simples genialidade do Felipe.


Tá certo. É mais ou menos como comparar Garrincha e Nilton Santos, Beatles e Beethoven, Magic Jhonson e Steven Redgrave. Cada um em sua área, cada qual com seu talento sobrenatural. Craques. E basta.

Jantar no Felipe Bronze ou na Roberta Sudbrack é um prazer sem igual para todos os sentidos. Uma aventura para a memória, para os cheiros, cores, ingredientes. As cozinhas separadas por vidro do salão permitem acompanhar de perto o sincronizado balé dos "bruxos" e suas eficientes equipes.

Ela brinca com chuchu, barbas de milho e um porquinho ao leite que justifica a existência na Terra. E dá umas "twittadas" entre uma coisa e outra. Ele transforma sólido em pó, líquido em crocância, farelo em calda. Ela mistura ovo caipira e quinoa; ele junta foie gras, granola e maracujá.

Ir à casinha vermelha na esquina da Saturnino de Brito é um aconchego só: o portão está trancado não por questão de segurança, mas "pq a chef quer que vc realmente se sinta entrando na casa dela". Balcão, mesas compartilhadas sem toalha nem frescuras, lâminas quase transparentes de um salaminho da terra natal da anfitriã, tubérculos descobertos por uma amiga de Roberta... Ah, e o pão quentinho! A cada ano, Roberta escolhe o ingrediente da temporada - o tema da coleção, como ela chama. Já foi chuchu, banana e agora é milho. Tão simples, tão complexo.

O elegantíssimo endereço na Frei Leandro, pé direito alto, hostess esbelta e decoração moderninha é o laboratório do alquimista Felipe Bronze. Sob luz violeta, o chef comanda um exército de cozinheiros, ao mesmo tempo discípulos e cúmplices do expoente da tal cozinha molecular por aqui.

No quesito estacionamento, Roberta ganha pontos: não cobra taxa de manobrista, algo raro e simpaticíssimo. No que diz respeito a vinhos, Felipe dá de goleada: uma carta maravilhosa, excelente custo-benefício e a assinatura da sommeliere Cecilia Aldaz. Nas quatro vezes que estive no RS, falei com Roberta apenas uma. Nas duas que fui ao Oro, Felipe foi agradabilíssimo ao passar na nossa mesa.

Mas voltando ao caldeirão mágico... digo, a cozinha.

Estava há tempos para escrever sobre o almoço da Roberta. Sempre às sextas por R$ 89 três pratos. Duas opções de  principal a escolher. Uma delas sempre, sempre mesmo, o P.I.C.A.D.I.N.H.O que encantou o ex-presidente Fernando Henrique nos tempos em que Sudbrack dava expediente no Alvorada.

Noutro dia estive lá com minha Mami para provar o executivo de que tanto ouvia falar. Uma grande pedida: além da entrada, prato principal e da sobremesa, Roberta entrega o serviço completo - surpresinha da chef, salaminhos de pré entrada, sobret para limpar os palatos e colherzinhas de brigadeiro para acompanhar o café. Ou vcs acham que ela faria por menos?


Voltei ao RS com Pedro essa semana para a Terça Básica. Bem, o objetivo era pedir a Terça Básica (a versão noturna do executivo do almoço, digamos assim). Mas quando cheguei lá... tudo o que consegui enxergar no cardápio foi "porquinho ao leite com batatinhas crustilantes". Fiquei em transe. Não sei se vcs têm noção do que significa esse porquinho de leite. É a carne mais tenra e deliciosa que alguém pode preparar. Não vou nem falar das batatinhas pq aí é covardia (sabe assim, molinha por dentro, crocante à perfeição por fora? então...). Obras de arte. E olha que nem era dia do canelone de maçã com farinha de pistache...

Também arrumei outro pretexto para aparecer no Oro algumas semanas atrás. Era a comemoração pelo mestrado de uma amiga de infância, a Janu. Ainda estava com minha primeira visita na cabeça, aquela em celebração pelo mestrado do Pedro. (hehehe, sempre o mesmo álibi...). Fomos recepcionados por um rolinho de moqueca com molho de côco e cury, cones de manga com pérola de maçã e tartare de atum e bolinho de queijo coalho com tapioca e molho de rapadura. As entradas já estavam bem mais atraentes e saborosas do que a experiência anterior. "Como pode?", pensei. "O que já era maravilhoso ficou ainda melhor!". O foie gras dessa vez veio com chocolate e frutas (!!!). E o campeão da noite foi um surreal lagostim com pistache e cabelo de pupunha (deu de mil no lagostim com beterraba da outra vez). No mais, dei sorte: Felipe repetiu a caprese derretida, o tartare com fumaça de churrasco e a "carne seca desfiada" - meus favoritos da outra noite. A Cecília ainda nos ofereceu um vinho grego de sobremesa que ajudou a quebrar outro tabu do meu paladar: a de que vinho doce é ruim. Que coisa, Cecília!

Deu no que? Passei o fim do jantar no RS convencendo ao casal na nossa frente, que tb implicava com o jeitão de Felipe Bronze, a dar uma segunda (e definitiva, diria eu) chance a ele. E acho que colou, viu!

Comer: Roberta Sudbrack (www.robertasudbrack.com.br) e Felipe Bronze (www.ororestaurante.com).