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quinta-feira, 27 de março de 2014

Eu poderia morar em Brighton

Brighton é o tipo do lugar que faz vc querer sempre mais. Foi a cidade que acolheu meu irmão na Inglaterra e, por conta disso, acabo volta e meia pegando um Southern Train para passar alguns dias curtindo um friozinho à beira mar. E todas as vezes acho que poderia morar aqui.

Ao desembarcar na linda estação de Brighton, fomos direto para o Hobgoblin, pub freqüentado por jovens estudantes (ainda bem que estava vazio) e onde é servido o hambúrguer favorito do Caê.

E tem motivo para isso. The Troll’s Pantry começou como um trailler na rua e acabou se mudando de frigideira e cuia para o pub. Mas o princípio ficou o mesmo: ingredientes orgânicos, produzidos em Sussex por pequenos fazendeiros. Pão caseiro e hamburguer artesanal. O sabor faz jus ao cuidado. Sem falar na atenção ao ambiente: pouco desperdício - evitando servir saladas que ninguém come, batata frita em quantidade exagerada ou lixo demais. Aliás, as chips são um capítulo à parte, temperadas com sal marinho e ervas.


À noite fomos a outro programa bárbaro (que, espero, exista tb no Rio): a Pecha Kucha Brighton Night. São pequenas apresentações de cinco minutos cada, num formato desenvolvido por japoneses. Os PPT são meramente com imagens, comentadas pelo palestrante no gogó mesmo. Uma amiga do Caê foi quem organizou e o line-up incluía cabeças de todo tipo - um ativista do naked bike ride, uma pesquisadora sobre vida de sapo em Brighton, artistas, discussões sobre a simetria na natureza, na física e na vida e apresentação de fotos recolhidas em lixeiras e mercado de pulgas. Dinâmico e interessantíssimo!

Arrematamos a noite num pub, ouvindo boa música brasileira cantada pelo casal Mônica e Pedro, depois de mais uma boa surpresa de Brighton: o Pompoko, discreto restaurante japonês que serve domburi e yakisobas apenas. Autêntico, delicioso e barato!


Ainda bem que fico mais um dia em Birghton!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Magnífico Sushi-Kan

Já disse aqui que considero o Shin Zushi o melhor restaurante japonês do Brasil. Da última vez em que estive sob os cuidados de Ken Mizumoto e sua equipe, já tinha no horizonte uma possível ida a Tóquio. “Ken, me indica um lugar para comer no Japão”, pedi achando que ele me mandaria para o badalado (e caríssimo) Jiro. “Toma. Pode falar em meu nome”, disse entregando o cartão em japonês, com um peixe na frente, onde a única coisa que dava para entender era o endereço do site – que, por sua vez, dava a pista do nome do lugar: Sushi-Kan.

Pois volto de Tóquio certa de que o Shin Zushi é, mesmo, o melhor do Brasil. Autêntico japonês. Fiel a suas origens, embora com personalidade própria. Espelho do magnífico Sushi-Kan.

Foi na casinha de dois andares numa rua tranquila em Meguro - não muito distante do agito de Shinjuku - que Ken e seu irmão Nobu lapidaram técnica, sensibilidade e conhecimento. Ken passou oito anos sob a batuta do itamae-san  (o sushi chef de quem eu, infelizmente, não sei como se escreve o nome!), que hoje orienta outro paulistano, o simpático Wallace Morita. Mais do que japonês, aprendeu a sorrir, entreter e cumprimentar seus convidados. Aprendeu a conhecer gostos a partir de reações, a educar o paladar de brasileiros e atender à expectativa dos japoneses. Conheceu o que o mar pode oferecer de melhor, a realçar cada sabor e valorizar cada textura.

Cheguei num sábado 20:30 ao balcão do Sushi-Kan. Tarde para os padrões locais, me disse Wallace. Enquanto arrumava a folha sobre a bancada e ajeitava, cuidadosamente, nabo, cenoura e algas num canto, e wasabi no outro, itamae-san gritou para a cozinha e, de repente, ouvi português no salão. Era seu assistente brasileiro, convocado para a função de intérprete da noite. Além de mim, apenas duas mesas terminavam a refeição. Em pouco tempo, tinha aquele lugar só pra mim.

Me entreguei ao omakase, a degustação criada na hora pelo itamae-san com o que há de mais fresco nas vitrines meticulosamente organizadas.

Foi um desfile do oceano: sardinha, enguia, ouriço, caranguejo de inverno – barriga, garra e ovas, com um molho cítrico que só existe no Sushi-Kan –, ostra no vapor, lula gigante, temaki de atum (nada a ver com “Konis” da vida), atum de todos os jeitos (um dele, de tão gordo, aceitava uma “bola de gude” de wasabi sem a gente nem sentir a ardência), peixe “yellow tail” e uma tal de kohada (nome em japonês) que foi a campeã disparado da noite. Alguns naturais, outros “aburi” (flambados). Invariavelmente já temperados com sal, limão, cebolinha ou shoyu, para brasileiro nenhum ter a tentação de afogá-los naquela piscina negra. Teve também pepino em conserva caseiro (gosto e croc-croc inigualáveis), pequeníssimas sardinhas fritas (que petisco!!!!), sopa de misô com vieiras desmanchando na boca e uma lasquinha de limão que fez toda a diferença. Ah, claro, e um chá verde delicioso para encerrar os trabalhos.

“Você quer provar a nossa omelete?”, pergunta o itamae-san ao final. “Sim, claro!”, respondo mais com os olhos e o coração do que com o estômago. “Acredito que Ken já tenha te apresentado a dele. Era o que melhor fazia isso aqui”, diz ele, saudoso, já saindo de trás do balcão e sugerindo tirarmos uma foto juntos. “Agora vc tem que mostrar ela pro Ken”.


Ainda de Tóquio, reservei o Shin Zushi para quinta-feira, quando estarei em SP.




sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Sushi em pé



Tóquio é uma das cidades mais incríveis que já visitei - embora nas três vezes que vim (sim, ainda estou no Japão!) tenha sobrado quase nenhum tempo para turismo. Não chega a ser um problema, já que para conhecer a cultura de um país vc não necessariamente precisa pegar um "hop on, hop of bus". Pelo contrário. Andando na rua, pegando metrô, participando de eventos, correndo (sempre!) e comendo (oba!), há tantas outras formas de se vivenciar a personalidade de um povo...

Ontem tive uma das experiências mais bacanas por aqui. Foi no Uogachi Nihonichi, um restaurante pequenino onde vc come sushi... em pé diante de um balcão. Quem me apresentou foi o Felipe Kitadai, da seleção brasileira de judô, motivo pelo qual volta e meia venho parar em Tóquio.


Fomos numa filial perto de nosso hotel (vi na internet, depois, que é uma rede com cerca de dez lojas pela cidade). O Uogachi Nihonichi é um dos raríssimos "standing sushi bar" com direito a lance no famoso leilão de peixes no mercado de Tsukiji. Ou seja, matéria prima mais fresca, impossível.

No pequeno balcão onde cabem não mais do que dez pessoas, éramos, claro, os três únicos não orientais diante de dois hábeis sushimens que, em inglês, sabiam no máximo sorrir, eu acho. Foi um passeio por tanta coisa maravilhosa: O-Toro vermelhíssimo, baby lulas, salmão no maçarico, cavala, camarão macio como nunca vi.



Os sushis são feitos na hora do pedido e colocados em cima de uma folha em duplas. Custam mais ou menos 150 Yens (cada dois). O que dá coisa de US$ 3.

O melhor é que dia 30 de cada mês mulher tem 30% de desconto. Acho que vou lá de novo hoje...

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Revista Época - O Melhor do Rio 2013-14. Sim, eu votei!


Desde pequena (ou nem tanto) leio com gosto as edições de premiação de restaurantes e bares das revistas semanais. Olho o nome dos jurados, as categorias, e faço a minha lista mental de vencedores. Chego a "discutir" com eles os votos. Esse ano, porém, a votação saiu da cabeça pro papel. Ou melhor: pras páginas.

Fui uma das sete convidadas pela RevistaÉpoca para apontar os melhores restaurantes em 23 categorias. O resultado saiu na edição especial que chegou às bancas na última semana de outubro.


Não preciso dizer que foi uma honra estar ali ao lado de tanta gente de bom gosto. Mais do que isso, foi um exercício legal pensar por que prefiro este àquele restaurante, o que me leva a determinado lugar (serviço, comida, ambiente...). O resultado geral vc pode conferir aqui no Blog do Pedro Landim, presidente do júri, digamos assim.

Visitei alguns novos, revisitei outros, resgatei na memória sabores e sensações. Foi um barato.

Cravei 18 dos 23 eleitos por um júri que fugiu do óbvio.

Meus escolhidos (vá lá, com algum pitaco do meu Pedro, não o Landim!) são:

Ambiente: Roberta Sudbrack, Oui Oui, Irajá Gastrô (Eleito: Entretapas)
Brasileiro: Aprazível, Barreado, Aconchego Carioca (Eleito: Aconchego Carioca)
Carne: Giuseppe Grill, Filé de Ouro, CT Boucherie (Eleito: Giuseppe Grill)
Carta de Vinhos: Giuseppe Grill, Botega Del Vino, Cavist (Eleito: Vieira Souto)
Cenário: Aprazível, Bar Urca, Barreado (Eleito: Aprazível)
Chef: Felipe Bronze, Roberta Sudbrack, Roberta Ciasca
Chinês: Primeira Pá, Chon Kou, Mr Lam
Contemporâneo: Oro, Roberta Sudbrack, Irajá Gastrô
Delivery: My Thai, Kotobuki, Gula Gula
Em hotel: Le Pré Catelan, Tereze, Alloro
Feijoada: Casa da Feijoada, Botequim, Feijoada da Portela
Francês: Olympe, Le Pré Catelan, L’Atelier du Cuisinier
Frutos do Mar: Bar Urca, Rio Minho, Bom Peixe (Mercado São Pedro)
Italiano: Artigianno, La Trattoria, Alloro
Japonês: Shin Miura, Azumi, Tenkai
Novidade: Mira, Ricca Alegria, Lima Restobar
Para ir com as crianças: Porcão, Gula Gula, Filé de Ouro
Pizzaria: Eccellenza, Braz, Stravaganze
Popular: Adega da Velha, Poleiro do Galeto, Caranguejo
Português: Antiquarius, Gruta de Santo Antônio, Adegão Português
Rodízio: Porcão, Fogo de Chão, Nik Sushi
Sobremesa: Gula Gula, Le Pré Catelan, Oui Oui
Vegetariano: Refeitório Orgânico, Verde Vida, Cria da Terra


Bom apetite!

domingo, 24 de junho de 2012

Shin Zushi: um japonês sem batom


Ainda bem que eu não uso batom. Recém-chegada ao balcão do Shin Zushi, ouvia a explicação de Ken Mizumoto para aquela autorização equisita. "Como percebi que vc não está de batom, vc pode tomar o saquê no cubo de madeira". A taça quadrada de madeira clara talhada com ideogramas é feita de cerejeira. Rara hoje em dia, diz Ken, justificando o zelo enquanto arrumava as raspas de nabo, cenoura e rabanete na folha à minha frente.

Ken Mizumoto, 32 anos, comanda o tradicionalíssimo Shin Zushi ao lado da mãe e do irmão. O pai, fundador da casa há 30 anos, faleceu quando ele tinha 12. Ken seguiu para o Japão, onde passou dez anos estudando. E o prazer pela riquíssima cozinha e incrível cultura de seu país ancestral o tornaram um embaixador da causa pelas bandas da Tropicália. Sim, estou decretando isso, sem medo de exagerar, depois das duas horas e meia que passei sentada à sua frente na última quinta-feira. Meio sem graça, pedi permissão para pagar aquele mico de fotografar tudo o que passasse na minha frente. Ele sorriu.

O primeiro sashimi foi de atum. Ken serviu um corte parrudo e vermelhíssimo do peixe, chamado Chutoro, de uma parte localizada mais longe da pele e, por isso, menos gorda e mais macia e saborosa do que se vê por aí. Em seguida vieram lâminas finas de garoupa e o aviso: "essa vcs têm que molhar nesse molho especial", disse Ken nos passando potinhos com shoyo, pimenta japonesa, cebolinha e gengibre. "e não inventem de fazer como alguns clientes, que resolvem molhar os outros cortes nesse molho também!".


Enquanto me encantava com a garoupa e o molho veio o polvo. Confesso que estava de olho grande nas pernas suculentas em um pote sobre o balcão. Estava morno, macio e delicioso. "Esse é para comer com sal e só. Pouco sal", veio a ordem do outro lado da vitrine de peixes. Os nacos do cefalópode (essa eu só descobri por causa do Bruno) não eram apenas das pernas, mas também da cabeça do bichinho. E esqueça aquela dica de que se deve espancar o polvo para lhe conferir maciez. "Quem não conhece o ponto certo de cozimento apela para pancada. Ele tem que ficar assim, ó, inchado", ensinava Ken mostrando uma pernoca parruda e bem rosada.

Ken parecia curtir do lado de lá, enquanto Bruno e eu entrávamos em transe do lado de cá. A cada prato apresentado, o jovem 'sushiman' esperava a nossa reação ao experimentar a iguaria. "E aí", perguntava para, em seguida, falar do frescor, do preparo, contar histórias.

Passaram pela nossa bancada ostras carnudas e vivíssimas "vindas hoje de manhã de Santa Catarina", siri mole deep fried, tempura (de abobrinha e de figo!!) para ser comido com sal de chá verde, enrolado de ovas de ouriço, caldo de peixe boi com tofu, peixe grelhado, delicadas duplas de sushi de satum e lula (que já vinham besuntadas de shoyo, sem necessidade de afogar o bolinho e estragar tudo), omelete tradicional japonesa, misoshiro maison com caldo de peixe caseiro, feita a cada dia na cozinha do Shin Zushi ("Se é para usar aquele pózinho pronto prefiro não servir", sentencia Ken).


(Em sentido horário a partir do topo: tempura com sal de chá verde; Bruno com o siri mole; peixe grelhado com nabo; Ken apresentando a omelete japonesa).

A cada passo da degustação, uma surpresa, uma descoberta, uma alegria. Lembrei com saudade dos restaurantezinhos que visitei em Tóquio, do fantástico Yamazate, o estrelado Michelin de Amsterdam. Falei do Azumi, no Rio, outra jóia. E detonamos juntos (Ken, Bruno, eu e os sushiman que ouviam o papo) o marketing do Sushi Leblon e a esquisitice do I Piati, o japa-italiano (!!!) de Botafogo.

O Shin Zushi também não usa batom. O luxo do restaurante paulistano não está em decoração moderninha, pratos cheio de invencionices ou buxixo de coluna social. Escondido em uma rua pouco badalada no bairro residencial de Vila Mariana, parece um pedaço do Japão em São Paulo - e me desculpem aqui o clichê. Mesas de madeira, japoneses atrás do balcão e no salão. Cardápio com ideograma e tradução fonética dos pratos. "Assim conseguimos estabelecer contato sempre com os clientes, pois eles nos perguntam as coisas. É uma interação importante", explica Ken. Isso, claro, quando algum estranho no ninho aparece por lá e para comer um combinado (há apenas duas opções dessa no menu). Pq na verdade, 70% da clientela é de olhos puxados e sabe bem onde está pisando.


Um coral bem afinado e ensaiado saúda cada vistante que passa pela porta, chegando ao partindo. As vozes japonesas conferem um clima ainda mais familiar e acolhedor.

"Sabem como eu escolhia os restaurante para comer no Japão", pergunta Ken que, naquela noite ficou praticamente exclusivo conosco (pura sorte!). "Pelo tipo de letra naquela bandeirinha azul sobre o batente da porta. Dá para ver a tradição do lugar. E também quanto mais velha a porta, melhor", conta ele prestes a apresentar sua última criação vinda da cozinha: um sorvete de chá verde com doce de feijão, gelatina kanten, massa de arroz, frutas e calda de açúcar mascavo. "É minha sobremesa favorita. Muito conhecida no Japão, mas aqui não fazem porque dá muito trabalho. Eu viajava horas de trem para comer o melhor desses em Tóquio".


E a conversa foi indo, como velhos amigos compartilhando uma paixão comum. Falamos de karatê, judô e whisky. Fiquei de voltar. Afinal, Ken só deve arriscar abrir um Shin Zushi no Rio depois de 2016, quando a especulação imobiliária tiver acalmado. E se eu tiver sido convincente o suficiente, em Botafogo, para a minha sorte.

Comer: Shin-Zushi (Rua Afonso de Freitas 169. Abre para almoço e jantar (até 22:30), com degustação (R$ 180, R$ 250 e R$ 300, dependendo do tamanho do percurso a seguir). Tel. 11 3889-8700).

domingo, 11 de março de 2012

Presente com segundas intenções

Depois de sete anos com dia dos namorados, aniversário e natal, a criatividade para presentes, diria eu, é posta à prova. Ano passado, trocando umas ideias com Papai Noel, decidimos dar ao Pedro um curso de culinária japonesa. Pedi para Elisa (a irmã artista) botar o presente no papel, digamos, e no comecinho de janeiro lá estava o namorado às voltas com algas, facas, peixes e esteirinhas.


Diz ele que é um presente com segundas intenções, já que a "cobaia" para os sushis, sashimis e enrolados sou eu mesma. Eu argumento que não, é um presente para a vida toda, pq o CD se perde, a camiseta desbota... mas o conhecimento fica.

E é esse conhecimento, aprendido nas aulas de Eduardo Jakobsson (clique aqui para saber mais) que divido aqui - em imagens, mais do que palavras - com vcs. Além de ajudante de primeira para cortar e organizar a cozinha, sou uma boa fotógrafa! E super modesta, claro. : )


Pepino
O segredo do pepino (para o vinagrete) é cortar bem fininho. O princípio é o mesmo da salada árabe de pepino com iogurte. Depois de fatiar, tem que deixar um tempo com sal em uma peneira para que ele perca o líquido.

Já as lâminas compridas para o enrolado precisam ser cortadas do lado da casca (escolha pepino orgânico se quiser comer menos veneno!). Ou seja, vai sobrar o miolo do pepino, com as sementes. Não tem jeito, tem que jogar fora.


Para fazer o vinagrete, tem que misturar o vinagre japonês com açucar. Depois é deixar "curtindo na geladeira". Não tem erro.

Califórnia
Fazer enrolados não é das tarefas mais simples, pq requer alguma habilidade com a esteira. É preciso, para começar, plastificar a esteirinha com papel filme. Os ingredientes do Califórnia devem ser cortados bem finos. O arroz é o mesmo do sushi, com a diferença que leva uma camada de gergelim torrado (e ralado) por fora.

No Califórnia, especificamente, a alga fica por dentro e o arroz por fora. Se for fazer um enrolado de pepino ou kani, é o contrário.


Sushi e sashimi


O grande "x" da questão é o peixe para o sushi e o sashimi. Limpar atum e salmão é uma bela de uma roubada, então vale a pena comprar os peixinhos limpos (e frescos, naturalmente!). A boa dica é ligar para Marco Pinto (21 7840-9153), de Niterói, que entrega em casa pescados da melhor qualidade. Serviço de primeira.

A barriga do peixe, que tem mais gordura e, por isso, é mais saborosa, é usada para o sushi. Já as costas são utilizadas para fazer o sashimi.

Leva um tempo para cortar tudo (e preparar as bolinhas de arroz). Nessas horas dá para entender o preço que cobram em restaurantes japoneses (e estou até começando a achar menos caro, viu...).

Arroz
Há alguns truques para fazer o arroz japonês. O primeiro é lavar e escorrer três vezes antes de cozinhar, para, depois de pronto, adicionar a mesma mistura do vinagrete de pepino (vinagre e açucar). Depois de esfriar, tem que soltar os grãos com uma espátula, mas sem quebrar o arroz.


Comer: Para quem quer entrar nessa curtição que é fazer, em casa, comida japonesa, a dica é aprender com o Sushi Rakan (21 9474-9528 / 21 2245-2594, com Eduardo Jakobsson). Além de um programa saudável e divertido, é mais barato do que ir jantar fora.

O toque carioca do Azumi, um japa mais do que autêntico

Demorei 34 anos para conhecer o Azumi, 'japa dos japas' em terras cariocas. Foi num jantar de sexta-feira, há coisa de duas semanas. Queríamos, Pedro e eu, comer comida japonesa de verdade, sem essas barcas de sushi ou invencionices tropicais.

Já tinha lido muito sobre o Azumi, considerado a mais perfeita tradução da culinária oriental por essas bandas - uma vez que aqui no balneário não temos nada parecido com a Liberdade paulistana.

Ao entrar, parecia que estava pisando num daqueles vários restaurantezinhos pé sujo de Tóquio, empoleirados em prédios e servidos por elevadores em que mal cabem duas pessoas. Muita madeira na decoração, mesas e cadeiras sem assinatura de designers e espremidinhas umas ao lado das outras, cardápio de plástico, pratos com nomes impronunciáveis (escritos com ideogramas, evidentemente) e olhos puxados por toda parte.

Sentamos no sofa do subsolo (mais Tóquio, impossível), bem ao lado de uma mesa com três homens japoneses que conversavam sem parar, bebiam sem parar e comiam coisas que só aguçavam minha curiosidade. E não fique você pensando que eles estavam atacando califórnias ou sashimis de salmão. Não. Ali no Azumi, pratos quentes são tão (ou mais) populares do que o sushi bar.

Fomos de acelga com camarões refogados e beringela ao forno com molho de misso. O sorriso da garçonete deu a dica que tínhamos começado bem. Senti falta, apenas, de uma carta de saquês mais interessante para acompanhar (eram, se não me engano, apenas três opções).

Enquanto pensávamos na continuação do jantar, baixa na mesa do outro lado um grupo de dois casais jovens e animados. Pareciam já conhecer o lugar - ou, pelo menos, saber que ali vc tem que ousar nos pedidos. Foram perguntando para a atendente o que era isso e aquilo no menu até que param em um tal de Ankimo.

"É fígado de peixe sapo", responde, com toda naturalidade, a moça.

Pedro e eu não aguentamos e caímos na gargalhada. Foi a senha para começarmos um papo com os casais a respeito do tema. Nada mais surreal do que ter algo assim no cardápio, pensamos os seis. E fomos brincando com o tal Ankimo, sem saber que se tratava de uma das maiores iguarias (o foie gras do mar, dizem), raríssimo no Brasil.

Veio nosso pedido do sushi bar (os melhores sashimis que já comi aqui... lembram que falei do Yamazate, estrelado japonês de Amsterdam... pois então... os pratos do Azumi também são tudo aquilo, sem as estrelas do Michelin e a pompa de um hotel cinco estrelas. Fantástico). Ao mesmo tempo, chegam dois potinhos na mesa dos casais.

"Um é para eles ali", aponta um mais animado dos rapazes.

Sim, é exatamente o que vcs estão pensando. Fígado de peixe sapo, muito prazer. Cortesia dos neo-amigos da mesa vizinha. Coisas que só acontecem no Rio de Janeiro.

"Estavam achando que a gente ia encarar essa sozinhos? E não pode fazer cara feia!", emenda o rapaz divertido.

"De graça até injeção na testa! Bom apetite!", sorri uma das moças, grávida.

Arigatô!

Fígado de peixe sapo, cortesia da mesa do lado.
Comer: Azumi (R. Ministro Viveiros de Castro, 127 - Copacabana / 21 2295-1098)




sábado, 15 de outubro de 2011

Os nossos japoneses são mais caros que os outros

Antes de embarcar para Amsterdam fui ao I Piati, um japonês quebra-galho do lado de casa. Nunca levei a sério um lugar especializado em cozinha italiana e japonesa ao mesmo tempo, mas isso nem vem ao caso. Fui de rodízio, essa instituição da gula brasileira (detalhe que, grosseiramente, no I Piati a comilança não inclui shimeji, que pobreza!), uma Heinecken, uma água e, claro, paguei os 10%, apesar de o garçom ter sido completamente desleixado e terem começado a lavar o chão do salão com a gente lá. Conclusão: R$ 85 no cartão de crédito.

Pesquisando as possibilidades gastronômicas de Amsterdam me deparei com cinco restaurantes estrelados pelo Guia Michelin. O que mais me chamou atenção foi o Yamazato, o único japa da Europa (e um dos raros fora do Japão) com estrela. Reservei.

Sushis do chef A. Oshima, do Yamazoto (Foto do site Yamazato.nl)
Fui recebida por duas mocinhas sorridentes vestidas de quimono e coque: "Welcome, Ms Penna!" e foram logo puxando a cadeira de uma das mesinhas com vista para o jardim japonês e o lago de carpas. Olhando em volta, só vi funcionários orientais, do sushimen aos garçons. Não falam sequer holandês, é japonês ou inglês. Arigatô.

Ao lado do vasinho de flor sobre a mesa, discretamente, um aviso proibia o uso de telefones celulares - civilizadíssimo!

Pedi um chardonnay Sul-Africano (Rietvalley) para acompanhar e, dois minutos depois, lá vem a "gueisha" com a garrafa na mão para me servir não sem antes pedir um "Sorry for making you wait". E foi assim, pedindo desculpas por qualquer 30 segundos de espera, que seguiu o atendimento extremamente prestativo, bem treinado e eficiente.

Eram cinco cursos do almoço: ZENSAI (as entradinhas de atum com rabanete, cavala com cebolinha e frango com figo empanado, este último divino!), TSUKURI (os sashimis - atum, peixe branco e camarão adociado. O atum parecia com colorante de tão vermelho - lindo! - mas o camarão foi a estrela desse prato com sua vinagrete de miso), o prato principal: GUY FILLET KINOKO SANSHO-YAK (traduzindo: um filé tão macio que eu cortava com o hashi com molho de cogumelos - shimeji em abundância! - e pimenta, além de uma saladinha de chicória, tomate e gergelim), NIGIRI SUSHI NOPPEI JIRO (sushis de atum, salmão, ova de salmão, omelete - argh! - e uma sopa meio fruto do cruzamento de canja com misoshiro, um caldo com pedaços de frango, shitake e legumes. Maravilhoso, por sinal) e, por fim, o WAFU DESSERT (sorvete de chá verde com berries e uma mussezinha que confesso não descobri do que era).

"Your bill, Ms Penna, hope you had a nice meal", disse a japinha ao deixar a conta na mesa.

Quer saber quanto eu paguei? O equivalente a R$ 130.

Faz sentido isso? O melhor japonês da Europa, um dos melhores do mundo, custar R$ 40 mais do que um japa mediano (sou educada) no Rio?

Comer: Yamazato (+31 20 6787 450 / yamazato@okura.nl / Ferdinand Bolstraat 333, Amsterdam)