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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Mais do que pizza

Sou chata para comer pizza. Mais chata do que paulista, talvez. Só tem duas pizzas que gosto de verdade: a do Jorge, marido da minha mãe, e a da Eccellenza. Quando fui convidada, em 2013, para júri de restaurante da Época Rio, votei na Eccellenza (até pq, não podia votar no Jorge!). E acabei criando uma relação gostosa com o simpaticíssimo Floriano Abinader, dono da casa e amante de Beatles como eu!

Numa dessas (em maio passado, pra ser exata. Esses últimos posts estão com um senhooor atraso, perdão!!!), tive o privilégio de fazer parte de uma mesa família para degustar vinhos apresentados pela Mundo do Vinho e harmonizados pelos pratos delicados de Sheila Morgenstern, a chef da casa. Nem só de pizza vive a Eccellenza... e eu que não sabia!!! Sempre fui à noite tão pré-determinada reencontrar o queijo de cabra e as cebolas roxas caramelizadas da Favolosa que nem abria o cardápio. Foi nesse que dia fiquei sabendo que o cardápio do almoço é mais eclético.  #ficadica

Começamos com pizza branca e espumante. E logo passamos para a salada com Torrontes Piatelle Capricci. Depois veio o levíssimo ravióli verde de búfala com tomate fresco, com um Malbec da mesma vinícola O arroz de alho negro com parma foi um espetáculo à parte e o zinfandel Beyer Ranch 2011 estava à altura. A cada prato, Ana Lúcia falava sobre o vinho. O Langhe Nebbiolo 2009 foi um espetáculo à parte. Fomos nesse ritmo até o créme brûle, finalizado na mesa por Sheila.



Foi um daqueles almoços de quatro horas mas que vc queria que tivesse até mais. Ainda bem que a Eccelleza fica do lado de casa!!

Comer:
Eccellenza Pizzaria - Rua Visconde de Caravelas, 121. Tel. 21 2535-0591.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A cerveja dos chefs


Fui ao Entretapas na última segunda com duas amigas. Entre uma sangria e outra, notamos um movimento atípico numa grande mesa no salão. Eram chefs dos mais renomados do Rio sendo recebidos por Jean Santos. Kátia Barbosa, Thomas Troisgros, Kiko Faria... Logo Antônio me explicou que se tratava de um encontro habitual do grupo e que, dessa vez, culminara com uma cerveja exclusiva elaborada a muitas mãos com a St Gallen. Cada um acrescentou um tipo de lúpulo, 14 no total.

Gentilmente, todas as mesas receberam uma garrafa de cortesia para experimentar. Amarguinha, deliciosa.

Sabe aquela sensação de estar no lugar certo na hora certa?

Obrigada!!

sábado, 21 de dezembro de 2013

Botafogo: de passagem a destino


Sempre morei em Botafogo. E sempre ouvi que "Botafogo é um bairro de passagem". Um caminho engarrafado de três longas e estreitas ruas entre a Baía de Guanabara e a Lagoa.

Para ir ao cinema eu partia para Copacabana ou Leblon. Para almoçar ou jantar pegava o carro para Ipanema ou Gávea. Mas pagava o IPTU de Botafogo.

Felizmente as coisas estão mudando. Meus amigos, quem diria, já vêm para Botafogo em busca de comida, diversão e arte. E, assim, eu passo numa boa, a pé, em frente à Operação Lei Seca do Humaitá! ; )

Os tradicionais Aurora e Botequim continuam firmes e fortes na Visconde Caravelas. Já viveram melhores dias, é verdade. Mas ganharam a companhia de alguns dos atuais carros-chefe da cena gastronômica carioca.

O Tragga, na Capitão Salomão, é um exemplo. Tem a adega mais linda que já vi. Serve carnes ótimas e uma cebola recheada que está entre meus acompanhamentos favoritos atualmente.

Ainda na Visconde Caravelas, antes da Capitão Salomão, tem aquela que considero, de verdade, a pizza mais gostosa do Rio (ah a de cebola roxa caramelizada com queijo de cabra... hummm!). Sem muito alarde, num espaço pequeno (ao lado do confuso I Piati, que se apresenta como restaurante japonês e italiano!!!) está a Eccellenza. Na mesma calçada fica o peruano Lima, com seu pisco sour fantástico e o trio de ceviches que me faz sair de casa até sob chuva.

Não, não acabou. Tem também meu delivery preferido na Nélson Mandela, o Orienthai, a quem volta e meia apelo para pedir um pad thai ou um murg tikka masala. Na Bambina conheci um italianinho charmoso e de comida bem feita, o Ricca Alegria. Sem falar do Harad, da Cobal do Humaitá, com um tabule quase igual ao da mamãe.

Mas é na Conde de Irajá que estão dois dos destaques dos críticos (e meus!): o Entretapas, dos queridíssimos Jean e Antônio, e o Irajá, do sempre inspirado Pedro de Artagão. São dois casarões restaurados do século XIX, cada um a seu estilo. No Entretapas, junto com uma fresquíssima jarra de sangria, me farto com a chistorra, as lulas, a pancetta, os huevos rottos... Já Pedro de Artagão assina um dos pratos mais surpreendentes que já provei: o falso toro (tartare de lombo de atum e foie gras). Me prometi que vou me entregar logo, logo, ao menu omakase dele, naquela mesa redonda linda diante da cozinha aberta.

Outro vizinho de cep é o Oui Oui, o primeiro na Conde de Irajá (sem contar, claro, China in Box e que tais). Só de pensar no cuscus de quiabo com frango e castanha do pará da Roberta Ciasca dá vontade de sair de casa correndo. Ainda mais lembrando que tem palito de tapioca com coco e doce de leite de sobremesa num dos ambientes mais agradáveis do Rio.

Por essas e outras que quando o paulistano Ken Mizumoto, do Shin Zushi, me perguntou onde abrir um restaurante no Rio eu respondi sem titubear: em Botafogo!