Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Só mesmo Ferran Adriá para me botar na cozinha!

Foi lendo o blogue do Pedro Landim que conheci o livro de receitas caseiras do mago Ferran Adriá, de quem o mais perto que cheguei foi através do filme que mereceu post por aqui. Chama-se The Family Meal e traz 31 combinações de cardápios (entrada, principal, sobremesa) que Adriá servia à força de trabalho de seu ElBuli. É uma edição da Phaidon então vcs imaginam a beleza e riqueza da produção.

E só mesmo Adriá pra me levar ao fogão. Foi num sábado qualquer. Tinha passado o dia minhocando da cama pro sofá e levantei para uma corrida na Lagoa no começo da noite. Decidi fazer um cheeseburguer caseiro (logo o Meal 1). No menu proposto, o sanduíche vem com uma salada Caesar antes e um bolo de Santiago depois. Fiquei só no hamburgão mesmo. Incrementei com cebola com shitaque refogados e optei por um emmenthal para derreter. A receita é infalível.

O livro traz proporções para todos os ingredientes para 2, 6, 20 ou 75 bocas!

Cheeseburguer com Chips (2 pessoas)
Ingredientes:
Pão branco (sem miolo) - 7g
Leite integral - uma colher e meia de chá
Carne moída - 250g
Ovo - meio!!!
Sal - 1/4 de colher de chá
Pimenta moída - 1 pitada
Pão de hambúrguer - 2
Azeite de oliva - 2 colheres de sopa
Queijo cheddar - 2 fatias (troquei por Emmenthal)
Batata Chips - 50g (fui de Pringles!)

Modo de preparo:
A edição da Phaidon: Family meal
Pique os pedaços de pão e mergulhe no leite por cinco minutos;
Junte a carne, o ovo, os pedaços de pão no leite, sal e pimenta em uma vasilha. Misture bem com as mãos;
Faça bolas de carne com formato de hambúrguer (mais ou menos 125g cada);
Frite a carna em uma frigideira com o azeite em fogo médio, virando no meio do tempo: 3min para mal passado, 5min para ao ponto, 8min para bem passado;
Corte o pão para o sanduíche e toste rapidamente no forno ou na frigideira;
Coloque uma fatia de queijo sobre cada hambúrguer (ainda quente para que ele derreta);
Monte o sanduíche e bom apetite!

Justiça seja feita, o livro foi presente de natal do irmão Caetano.

PS: Tive a licença poética de complementar com uma fatia de tomate e uma folha de chiória; e um mix de cebola rocha com shitake refogados com um pingo de shoyu.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

J’Aime Paris



Essa é uma sugestão para quem ainda não tiver feito a lista para o Papai Noel. Não, não é uma passagem para Paris, como o titulo desse post supõe. Mas bem que vc vai precisar de uma se quiser curtir das dicas do novo livro do mestre Alain Ducasse. 
O poderoso chefão acaba de publicar (em abril na Europa, o que é quase agora aqui nos Trópicos) o “J’Aime Paris – Mon Paris du goût en 200 addresses”, onde dá nomes, coordenadas e impressões sobre os lugares que mais gosta na capital francesa. Falou do Le Chateaubriand (que quem lê esse blog já conhece faz tempo!) e de seu Jules Verne, na Torre Eifel, evidentemente. Mas fala de lugares menos pomposos e mais escondidinhos. Como esses que a revista da British Airways listou na edição de novembro. Copiei tudo – a mão! – pra vcs! O problema foi entender o garrancho depois!!

Tem restaurante de chef badaladinho (Gregory Marchand), loja de queijo, restaurante com decoração art déco, café dentro de mesquita, jantar a bordo de barcos pelo Sena...

Ainda na onda de livros, o vizinho de blogue, Pedro Landim, noutro dia escreveu sobre o livro de receitas caseiras Ferran Adrià. Outra delícia que vale mandar o Papai Noel comprar na Amazon! Clica aqui pra ler o post do Boca no Mundo. Pra comprar clica aqui.

Restaurant Charier – 9eme – 7 Rue du Fauburg Montmartre
Caffé Dei Cioppi – 11eme – 159 Rue du Fauburg St Antoine
Raoul Maeder – 17eme – 158 Boulerd Berthier
Frenchie, do chef Gregory Marchand – 2eme – 5 rue du Nil
Le Train Bleu – 12eme – dentro da Gare de Lyon
Rosa Bonheur – 19eme – 2 Allee de la Cascade
Barthélemy, loja de queijos – 7eme – 51 rue de Grenelle
Café de Maure de La Mosquée de Paris  - 5eme – 9 rue Geoffrey St Hillaire
Yachts de Paris, jantar em barco pelo Sena – 7eme – 27 Quai Voltaire
Aux Lyonnais – 2eme – 32 rue Street Marc
Ballon et Coquillages – 17eme – 71 Boulevard Gouiron St Lyr

sábado, 16 de julho de 2011

Gente que nem a gente

Noutro dia eu estava lendo a biografia do Steven Redgrave, o maior remador olímpico de todos os tempos (cinco ouros em cinco Olimpíadas, em três barcos diferentes, remando nos dois bordos). Ri sozinha quando percebi que as sensações e aflições de um super herói podem ser as mesmas de um ser humano, cada um com suas devidas proporções. Ele também odiava fazer remoergômetro, travou "tico e teco" quando passou do bombordo pro boreste, matou lá seus treininhos...

Fica aí a dica pra vcs...
Em ritmo frenético de trabalho com a Maratona do Rio essa semana, conheci o craque Marílson Gomes dos Santos, um dos maiores maratonistas que o Brasil já teve. Dono da incrível marca de 2h06 nos 42km, bicampeão da Maratona de Nova Iorque. E sabe-se lá mais o que ele vai aprontar...

Entre uma entrevista e outra, bati um papo com Marílson, digamos, "de maratonista para maratonista". E sabe o que?

Ele também fica num "bode" profundo depois de correr uma Maratona. Passa dias sem querer calçar o tênis de novo...

Ele também adora uma Coca-Cola...

Ele, assim como eu, detesta correr com música...

Ele, assim como eu, adora treinar no frio...

Ele, como qualquer mortal, chega quebrado no fim dos 42km - "impossível não sofrer".

Fico pensando sobre o sacrifício de um ser humano para fazer 42km em pouco mais de duas horas. E ele, acredite, pensa o mesmo:

"Os corredores amadores são a minha inspiração. Enquanto estou sofrendo nas minhas duas horas, fico pensando nas pessoas que correm em três, quatro, cinco horas. Jamais suportaria tanto assim!".

No fundo, somos todos iguais.


Correr: Maratona do Rio, neste domingo (17/7). Largada às 7:30 na Praia do Pontal. Chegada no Aterro do Flamengo, passando por 10 praias da orla carioca.

terça-feira, 3 de maio de 2011

De Amyr Klink a James Cracknell: o Atlântico a remo de norte a sul

"(..aprendi...) A transformar o medo em respeito, o respeito em confiança. Descobri como é bom chegar quando se tem paciência. E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso, antes de mais nada, querer" - Amyr Klink.

Já que não posso remar, estou aproveitando a famigerada pneumonia pra botar a leitura em dia e viajar nas remadas alheias. Curei (ou provoquei?) insônia acompanhando os loucos James Cracknell e Ben Fogle em seu "The Crossing - conquering the Atlantic in the world's toughest rowing race". Inevitável emendar com a releitura de "Cem dias entre céu e mar", do Amyr Klink. Iguais mas diferentes. Inspiradores. Incríveis odisséias de homens valentes, frágeis humanos que têm medo e sonham, arriscam e conquistam.


Amyr foi remador do Clube Espéria, em São Paulo, um dos mais antigos do Brasil. Cracknell, atleta do tradicionalíssimo Leander Club, em Londres, ganhou dois ouros olímpicos no Quatro Sem dos fatásticos Steven Redgrave e Matthew Pinsent (2000-2004). E um belo dia resolveram que esse negócio de ficar pra lá e pra cá numa raia de 2000m, com cronômetro na mão e ácido lático nas coxas, já tinha dado e resolveram desafiar o Atlântico. O gringo pelo Norte, Amyr pelo Sul.

Parecem viagens irmãs: saem de um lado do oceano; negociam com ondas e tempestades; surpreendem-se com baleias; temem navios e outros monstros marinhos; calculam, interminavelmente, a quantidade de suprimentos e água; desenrolam perrengues em série; contam cada nascente e poente; deliram; discutem. E chegam, enfim, do outro lado do oceano.
A  rota do Spirit of EDF em 2005.
A rota do IAT em 1984.
Na verdade, Amyr foi primeiro. Em 1984. Quando GPS era coisa de marciano e os remos (pesadíssimos) eram de madeira. Eu nem sabia o que era remar, muito menos que conheceria Amyr anos mais tarde. Cracknell botou o barco n'agua nas Ilhas Canárias em 2005 (eu já era até campeã brasileira de remo!). Com um arsenal de equipamentos eletrônicos e a mais alta tecnologia: GPS, remos de carbono da Concept, barcos de apoio, rádios modernos. Era a regata Woodvale Challenge, que acontece a cada dois anos. Esse ano tem, mas só penso em participar em 2017 pra comemorar meus 40 anos. Não deixem minha mãe saber.

Ter ou não um sextante é só a a diferença visível das duas expedições. Lembro quando comecei a trabalhar com Amyr Klink em 2002. Primeiro encontro com ele e a recomendação em alto e bom som: "Manoela, só não vem escrever que sou aventureiro pq nada do que eu faço é uma aventura. Minhas viagens são fruto de um minucioso trabalho de preparação, onde cada detalhe é calculado".

Amyr Klink - de Lüderitz/Namíbia a Salvador/Brasil.
E essa é a grande diferença entre as travessias de 1984 e 2005. Quem achou que, 20 anos depois, com todos os aparatos modernos e o fato de remarem em dupla, James Cracknell e Ben Fogle teriam uma experiência mais "agradável" do que Amyr se enganou. Vc lê "Cem dias..." e acha que Amyr está de férias num cruzeiro: não passa fome, não passa sede, não passa sono. Diverte-se com as ondas e se delicia com potes de leite condensado. Faz da fauna sua companheira e batiza com bom humor as assustadoras ondas oceânicas. Capotar era uma "farra". Planejamento, confiança e prazer. Foram dois anos de estudo, o famoso "dossiê amarelo" e a constatação: "Meu medo era nunca partir. O período em terra foi mais sofrido do que no mar". Só não foi uma logística perfeita pq o travesseiro ficou em Paraty.

James Cracknell e Ben Fogle - de La Gomera/Espanha a Antigua/Caribe.
Os gringos deveriam ter lido o livro de Amyr antes de soltar as amarras. Sério. Ia poupar muita enrascada em que se meteram: acabou água, racionaram comida, equipamentos quebraram e, nem sempre, tinha peça de reposição ou conhecimento da tripulação para resolver o pepino. A capotagem quase custou a vida da dupla. Olhando friamente, os caras são loucos. Uns verdadeiros aventureiros que, graças às personalidades complementares (e um mapa astral favorável, só pode), venceram a regata!

Tão absorvente quanto o livro de Amyr é a narrativa dos ingleses. Uma história quase surreal, que começou numa balada com o, digamos, "ex-BBB" Fogle convidando o campeão olímpico daquele ano pra dar um rolé ali no Atlântico. Nem se conheciam quando embarcaram. Preparação? Meu, eles quase não largaram pq sequer tinham os cursos de sobrevivência necessários e os equipamentos obrigatórios a dois dias da partida. Sabe a história fadada a dar errado? Não deu.

O encontro tão inusitado (e, até certo ponto, naif) sobre a fossa abissal do Atlântico acabou sendo é um baita estudo antropológico, uma aula de relações humanas. Cracknel, com seus calos nas mãos e milhares de quilômetros nas costas, queria vencer a regata. Talento não lhe faltava e achava que isso era mais do suficiente. Autoconfiança, teimosia e orgulho às vezes jogaram a favor, mas em outras... Fogle queria mais é "curtir uma de aventureiro" e chegar vivo pra contar a história no final. Não tinha noção da biomecânica da remada e ia encarar 3000 milhas em mar aberto.  Parece que nem disso ele sabia. Venceu seus medos, sobreviveu à competitividade quase insana de seu parceiro e salvou-lhe, praticamente, a vida com sua coragem em reconhecer as fraquezas. Sabe superação? Eles queriam muito chegar. Muito mesmo. Tanto quanto Amyr.

Enquanto isso sigo de castigo em casa com meu barquinho empoeirando na garagem de remo do Botafogo. Ai que saudade...

Remar: Saiba mais sobre Amyr Klink, James Cracknell e outros craques do remo nos links ao lado. A Woodvale não promove apenas a travessia do Atlântico, mas também expedições menores. Para começar a treinar, há clubes de remo nas principais cidades do Brasil (incrivelmente menos em Belo Horizonte). Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo, Brasília, Bahia, Belém e Manaus, nesta ordem, têm clubes de remo bastante ativos e tradicionais. Tem clubes de todo o país no Scullerbrasil.